sábado, 5 de maio de 2012

"A um poeta"

Tu que dormes,espírito sereno,
Posto á sombra dos cedros seculares,
Como um levita á sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda!é tempo!O sol,já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta!é a  grande voz das multidões!
São teus irmãos,que se erguem!são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te,pois,soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador,faze espada de combate!



                                                             (Antero de Quental)

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